Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Setembro 12 2009

 

“Hoje há Pão Alentejano?...”
 
Esta frase tão ouvida
neste tom interrogado
não é sentença perdida
nem um pregão inventado,
 
nem dito voando à toa…
 
Oh senhores, mas quem diria
que eu ia ouvir isto um dia
aos balcões de Padaria
desta Moderna Lisboa?!
 
“Hoje há Pão Alentejano?!”
 
e se o empregado diz:
 
- “Olhe, acabou de chegar.”
 
ri a freguesa feliz
e estende o saco apressada
pois não vá ele acabar…
 
e pede firme, sem graças,
que não pode haver engano:
 
-“Ponha-me aí dez carcaças
e UM PÃO ALENTEJANO.”
 
Ai é vê-lo meus amigos,
este pão que era só nosso,
o nosso Bem de raiz,
sem pretensões, sem ganância,
 
-como ganhou importância.
-como ganhou um País.
 
Todos o querem agora,
por inteiro…uma fatia…
umas migalhas…um naco…
 
Pão nosso de toda a hora
que é farinha doutro saco.
 
Venham vê-lo na Taberna
ou no fundo duma Adega
como alegra o camponês:
 
-ensopa o copo de três
-abafa raios e coriscos
-faz de cama prós petiscos…
 
e aconchegada a barriga
logo a voz se faz cantiga,
põe-se o Sol, vai-se a fadiga
que a noite mal começou,
e…
 
                   “às quatro da madrugada
                   um passarinho cantou…”
 
Ó Pão do meu ALENTEJO
que bela lição tu deste
na tua nobre humildade,
e como tu aprendeste
a usar Fraternidade.?
 
E sem briga, e sem guerra,
sem essa confusão louca,
deste NOME à nossa terra,
levaste-a de boca em boca…
 
Pois também vai a Banquetes
e a solenes Beberetes
nas salas bem afamadas,
 
posto assim em pedacinhos,
feito “tapas” e “entradas”,
regado com os melhores vinhos.
 
é o mais requisitado,
pedido por encomenda,
e vai em naperons de renda
até à mão de Ministros.
 
E deu no goto a Estrangeiros
e a certos senhores bem vistos
que o acham uma riqueza
e o querem na sua mesa…
 
Não se recusa a ninguém,
dá-se a ricos, pobrezinhos,
a crianças e a velhinhos
e aos doentes também.
 
Pão de Paz! Pão de Alegria!
Pão de Amor! Pão de Verdade!
 
É como Nós neste Dia,
 
uma mistura sadia
de renovo e de saudade.
 
“Hoje há Pão Alentejano?.”
 
Esta frase tão ouvida
neste tom interrogado
não é sentença perdida
nem um pregão inventado.
 
Nem dito voando à toa…
 
Ó senhores, mas quem diria
que eu ia ouvir isto um dia
aos balcões da Padaria
desta Moderna Lisboa?.
 
Que vitória meus amigos,
 este Pão que era só nosso,
o nosso Bem de raiz,
sem pretensões, sem ganância,
 
-COMO GANHOU IMPORTANCIA.
- COMO GANHOU UM PAÍS
publicado por milualves às 18:29

Setembro 12 2009

 

 
Eu sou como a charneca na paisagem
Da minha terra quente, alentejana!
Um sabor agridoce nos irmana
No degustar de anseios e miragem…
 
Perdemos tantos sonhos na voragem
Dum tempo que promete…e só engana!
E esta longa sede alentejana
Crestou de solidão a nossa imagem!
 
Mas como tu, de lágrimas e ais,
Agora eu fiz barragens e canais
Ao longo da minh’alma assim dispersos…
 
Fechei numa lagoa a minha mágoa
E agora, como tu, já tenho água
P’ra regar os canteiros dos meus versos!
publicado por milualves às 18:25

Setembro 12 2009

 

Mote:
De meu pai herdei o dom e o desejo
Que me ensinou a escrever e a sonhar,
Com meus tios e minha mãe, no Alentejo,
Eu aprendi a sofrer…e a cantar…
 
 
Meditando, eu acredito que não minto
Nas loucas fantasias que antevejo,
E que para expressar isto que sinto,
De meu pai herdei o dom e o desejo.
 
Mesmo sem saber ler, sem ser Doutora,
A terra que não tinha onde estudar,
Odemira foi a sábia Professora
Que me ensinou a escrever e a sonhar…
 
Os versos que em menina lá escrevi,
Coisas boas e más qu’inda revejo,
São imagens e sons do que vivi
Com meus tios e minha mãe no Alentejo
 
Odemira, foi triste a emoção
Na hora de partir e te deixar,
Mas com o teu Passado por lição
Eu aprendi…a sofrer e a cantar…
 

 

 

publicado por milualves às 18:23

Setembro 12 2009

 

Deixem-me ser criança ‘inda a viver
As emoções mais lindas do passado,
Saltando de alegria só por ter
Um ninho de andorinha em meu telhado!
 
E à tardinha, com a aragem, ver
Flores de Maio voando num valado,
E o céu azul –muito azul- juncado
Com molhos de andorinhas a tremer…
 
Odemira dos meus sonhos mais doces!
Minha terra, eu queria que tu fosses
Um ninho aconchegado à minha espera!
 
E eu cantando em teu beiral eterno,
Andorinha que foi num longo Inverno
E volta anunciando a Primavera!
 
publicado por milualves às 18:21

Setembro 12 2009

 

Se me lembro! Pois tudo era diferente:
-Impérios pela Fé edificados!
-Os Povos de Além-Mar civilizados
No Divino saber da Lusa-Gente!-
 
No astro só queimava o Sol ardente!
-No Mar os elementos revoltados!
-Na Terra, só Heróis santificados…
O resto…era um mistério Omnipotente.
 
Li na Moral: Virtude! Paz! Amor!
Nas Ciências, sabia já de cor
Que os Homens também tinham coração.
 
Mas tudo se esfumou com a idade…
Às vezes choro ainda, com saudade
Do Mundo que eu gostava…na Lição
 
 

 

publicado por milualves às 18:17

Setembro 12 2009

 

Se me recordo, Mãe, dos teus carinhos
E de quando eu pensava (num dilema !?)
Ao ouvir-te cantar os meus versinhos:
- “Oh Mãe! Um dia faço-te um poema!”
 
Abafavas com histórias e risinhos
Cada dificuldade ou problema,
Ensinando que há flores vindas de espinhos!
-“Oh Mãe! Um dia faço-te um poema!”
 
Agora que te foste e eu queria tanto
Escrever, escrever, escrever, dizer o quanto
P’la vida semeaste Amor e Paz,
 
Sinto, num calafrio que me arrepia,
Que aqui falhou a minha poesia…
-“Perdoa minha Mãe, não sou capaz!”
 

 

 

publicado por milualves às 18:13

Setembro 12 2009

  

Se canta o mar imenso, se a cantar
O próprio vento embala a natureza,
Se cantam rios e fontes, se quem reza
Entoa uma canção junto ao altar,
 
Se cantam avezinhas pelo ar,
Se há cânticos a Deus, se a grandeza
Da Terra, sem canções não tem beleza,
Porque não hás-de tu também cantar?!
 
Canta! Canta, sim! Canta os devaneios
Da tua mocidade, e os teus anseios,
Deixa cantar a alma e o coração!
 
Canta tudo o que vês, tudo o que existe!
Seja a cantiga lenta, alegre ou triste,
Canta, que a própria vida é uma canção.

 

 

publicado por milualves às 18:11

Setembro 12 2009

  

Canta sim, ao romper da bela aurora
Quando o teu lírio roxo se abre em flor,
E a rosa branca tem mais pura a cor,
E o comboio lá vai, pelos campos fora…
 
Quando o galo canta fora de hora,
E de Lisboa ao Porto, cheio de dor,
Abala p’rós Açores o seu amor
Maria Campaniça, triste chora!
 
Sapateiro não ponhas à janela
A tua filha, que no barco à vela
Vogando no rio Mira que vai cheio,
 
Vai um à pesca de uma Margarida,
E nem erva cidreira lhe dá vida
Se ela vai na cantiga e faz enleio…
 

 

publicado por milualves às 18:08

Setembro 12 2009

 

Agora eu sou…a dor de não ter sido
A moça genial que havia em mim!
Que chorava por ser…por ser assim…
Com medo dos meus sonhos e sentidos
 
Que a vida fez em cardos floridos,
E rindo, zombeteira e ruim,
Pôs a desabrochar, à sede, assim…
No chão dum Alentejo ressequido!
 
Olhei meu sonho até vê-lo morrer!
Então saltei – criança p’ra mulher!
No trampolim dum tempo esquecido…
 
Nem parei no jardim da mocidade!
Não plantei sequer uma saudade!
E agora eu sou…a dor de não ter sido
publicado por milualves às 18:03

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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